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Somente agora, depois de avisado pelo juiz da falência da Desenvolvimento Engª. Ltda., obtive prova de que Mucio Athayde morreu no Rio de Janeiro o ano retrasado, em uma clínica em Laranjeiras, que comunicou o óbito.

Contra o falecido, patrocino ação civil da AMACBARRA, pela prática da propaganda enganosa, por si e através de suas empresas e de terceiros que subcontratou para as obras civis de arruamento e infraestrutura, para erigir torres de salas e apartamentos e shopping centers nos loteamentos que empreendeu, desde os anos 1960, quando a Barra da Tijuca era somente um extenso areal com dunas e charcos aqui e ali, entre a água das lagoas e da praia.

O que prometia ser uma vida no paraíso, se revelava um golpe imobiliário, porque os empreendimentos nunca ficavam prontos; contudo, o tempo acaba valorizando a propriedade e, rapidamente, o que era futuro frustrado de um adquirente lesado, prometia ser o futuro dourado de outro feliz interessado, que o sucedia pouco depois em frustração, esperando o tempo da valorização para tentar repassar a qualquer preço, de tanto que o aborrecera o negócio.

Assim é que, sem fazer escrituras da transferência da propriedade aos adquirentes durante a construção, os incorporadores de loteamentos e prédios em condomínio vendiam frações em meros contratos particulares que, depois, quando aparecia alguém pra reclamar da demora ou processar porque as obras nunca terminavam, podiam recomprar e rasgar tudo, devolvendo ainda mais dinheiro do que o sujeito tinha dado, por causa da inflação, que também mascarava o vultoso ganho obtido pelo incorporador, sem despesas cartorárias e sem sequer precisar ser contabilizada como ingresso no caixa.

Aos que resistiam ao prejuízo, a lei permite sejam os contratos particulares averbados à margem da matrícula do terreno, mas esses documentos continuavam a não ter valor se a obra não prosseguisse até o fim, pelo que aguardavam, eternamente, projetando um dia prescrever num prazo que era de vinte anos e, desde o Código Civil de 2002, foi reduzido a dez, fechando, portanto, em 2012, um ciclo importante.

Nos anos 1970, era inviável a Barra da Tijuca como lugar de moradia, justamente pela falta de infraestrutura. Somente na década seguinte é que os investimentos imobiliários caminharam para lá, juntamente com maciço investimento público na área, favorecendo o aumento dessa especulação, numa escala muito maior do que antes fora o túnel e o bonde da Light para Copacabana.

Antes, eram poucos grandes proprietários de terras, depois foram se multiplicando, fracionando cada vez mais, enquanto a titularidade continua a ser disputada na Justiça até hoje (a briga entre a ESTA e o Espólio de Abilio entra aqui), inclusive com graves problemas cartorários, investigados por CPI’s, de diferentes governos municipais e estaduais (caso das Casas da Banha entra aqui).

Nesse passo, as construtoras se viram surpreendidas pelo fenômeno Encol, que se baseava n’uma alavancagem muito superior, praticado o mesmo crime contra a economia popular, mas em escala nacional, aproveitando uma oportunidade criada pela estratosférica inflação que assolavava o país, transformando a construtora em instituição financeira especializada na corretagem de títulos particulares teoricamente lastreados em direito real, negociáveis sem registro em cartório, sem qualquer controle do Banco Central do Brasil, até que o esquema explodiu, deixando a Barra com dezenas de esqueletos, inclusive algumas obras de infraestrutura viária na Rua Olegário Maciel, objeto de contrapartida da construtora com o Município, que comerciantes e moradores, prejudicados pela paralisação e abandono durante longo tempo, amargaram até que as autoridades municipais resolvessem assumir o prejuízo e completá-la para reabrir ao trânsito.

Mucio Athaide tem muitas histórias, mas das que se encontram lavradas em escrituras registradas, se pode dizer que deu a Sergio Naya, em troca do jornal de sua propriedade em Brasília-DF, os terrenos onde construído o Palace, cujo bloco II desabou em 2001; também deu a Cláudio Macário, em troca de cotas da Rádiodifusora Ebenezer, terrenos em que, com venda na planta e  prédios inacabados, foram  assumidos e completados pela Gafisa; está também na linha sucessória com as Casas da Banha e a Globo, que depois criou a San Marco, para incorporar a área onde se encontra o Shopping Cittá América etc.

A bancarrota era pra ser em 2004, mas se reverteu, até que, em 2006, foi novamente decretada a falência da empresa-mãe de Mucio Athayde a Desenvolvimento Engª. Ltda. e outras que somente então foram descobertas, suspeitando-se igualmente da existência de outras, inclusive no exterior.

Seu passamento em 2010, contando 74 anos, atestado pela clínica em que ocorreu, impede seja ouvido seu depoimento, o que seria, no mínimo, constrangedor para muita gente que continua ainda em cena.

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